Tipos de Drogas mais Consumidas no Brasil

Você sabe quais são as drogas mais usadas no Brasil e no mundo?

Neste artigo, faço uma análise e trago estudos que fizeram o levantamento desses dados.

Eles nos ajudam a entender como está o panorama nacional e internacional no consumo de substâncias lícitas e ilícitas, as quais afetam a vida de milhões de pessoas, entre dependentes e familiares.

Compreender essa realidade também é útil para nós, especialistas no tratamento da dependência química, para avaliar abordagens e atualizar métodos aplicados tanto para a prevenção quanto para a terapia.

Um panorama sobre o consumo de drogas no Brasil na atualidade

Uma das pesquisas mais atuais e completas sobre o consumo de drogas no Brasil é o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Sua versão mais recente revelou, por exemplo, que 3,2% dos brasileiros usaram substâncias ilícitas no último ano do estudo.

Em números absolutos, isso corresponde a 4,9 milhões de pessoas.

O percentual é maior entre os homens (5%), enquanto o total de mulheres equivale a 1,5%.

Na questão etária, o consumo mais elevado foi registrado entre os jovens: 7,4% dos brasileiros entre 18 e 24 anos assumiu ter usado drogas ilegais.

O estudo também traz informações relevantes sobre o uso de álcool no país.

Segundo o levantamento, mais da metade dos brasileiros ingeriu bebida alcoólica em algum momento da vida.

Desse total, cerca de 46 milhões (30,1%) bebeu, pelo menos, uma dose no último mês da pesquisa.

Quais são os diferentes tipos de drogas consumidas no país?

As drogas, quanto à sua composição, podem ser classificadas em três categorias diferentes: naturais, sintéticas e semissintéticas.

Drogas naturais

São aquelas que têm o seu princípio ativo extraído de plantas.

Os casos mais comuns são a maconha e o ópio, derivados, respectivamente, da cannabis e da papoula.

Drogas sintéticas

São as drogas fabricadas artificialmente em laboratório.

Entre as mais conhecidas, estão o LCD e o ecstasy.

Drogas semissintéticas

São um misto dos dois modelos anteriores.

Ou seja, elas têm origem natural e, depois, são modificadas quimicamente.

cocaína é o maior exemplo disso: originalmente, ela é extraída da folha de coca, mas recebe a adição de outros componentes químicos para sua produção.

A heroína e o crack são outros dois casos bem conhecidos de drogas semissintéticas.

Quais são as 13 drogas mais usadas pelos brasileiros?

Observar a última edição do Lenad mais a fundo nos permite entender melhor a realidade do consumo de drogas no Brasil, elencando quais são as substâncias lícitas e ilícitas mais usadas por aqui.

Acompanhe!

Drogas lícitas

O estudo conduzido pela Fiocruz mapeou o uso de três drogas lícitas no Brasil: álcool, tabaco e medicamentos não prescritos.

1. Bebidas alcoólicas

O álcool é a droga lícita mais usada no Brasil.

Segundo o estudo, 66,4% das pessoas bebeu ao menos uma vez na vida.

Já 43,1% informaram ter bebido no último ano e 30,1% no último mês.

Entre os homens, 74,3% responderam que consumiram bebida alcoólica em algum momento de suas vidas – 51,6% no último ano e 38,8% no último mês.

Já entre as mulheres, os percentuais foram de 59%, 35% e 21,9% respectivamente.

Os números que mais preocupam, no entanto, não são esses, mas sim os do chamado binge drinking, que corresponde ao consumo abusivo de álcool em um único episódio – em geral, cinco ou mais doses.

Aproximadamente 25 milhões de brasileiros, ou 16,5% dos entrevistados, demonstraram esse tipo compulsão pela bebida.

Novamente, o índice entre os homens (24%) foi maior do que o registrado entre as mulheres (9,5%).

2. Tabaco

O tabaco se provou a segunda droga lícita mais usada no país.

O estudo apontou que 26,4 milhões de brasileiros já fizeram uso de algum produto com a substância no último ano – isso corresponde a 17,3% da população nacional.

Os cigarros industrializados são a preferência de 23,4 milhões.

Quando analisado somente o número de pessoas que fumou cigarros industrializados alguma vez na vida, esse percentual sobe para 51 milhões.

Ao fazermos um comparativo por gênero, uma vez mais os homens ficam à frente das mulheres.

Para focar só em um parâmetro, dos quase 21 milhões que disseram ter fumado no último mês, 12 milhões são do sexo masculino e quase 9 milhões do feminino.

O estudo também estimou o grau de dependência do brasileiro à nicotina.

Para isso, foi utilizada a Escala de Fagerstrom, que atribui pontuações para classificar o nível de dependência.

Considerando aqueles que responderam ter fumado nos últimos 30 dias, 4,9 milhões tiveram notas acima de 6, que apontam para parâmetros elevados ou muito elevados de dependência.

3. Medicamentos não prescritos

Os medicamentos não prescritos por profissionais da saúde ou utilizados para fins distintos da recomendação médica correspondem à terceira droga lícita mais usada no Brasil.

O levantamento divide os remédios em seis categorias: anabolizantes, anfetamínicos, anticolinérgicos, barbitúricos, benzodiazepínicos e opiáceos.

Entre todos, os medicamentos ansiolíticos e hipnóticos (benzodiazepínicos) são os mais consumidos no país.

Quase 6 milhões de brasileiros assumiram ter feito uso irregular da substância em algum momento da vida.

Na sequência ficaram:

  • Opiáceos, usados para tratar dor aguda ou crônica, com 4,4 milhões
  • Anfetamínicos, bastante utilizados para emagrecimento, com 2,1 milhões
  • Barbitúricos, muito comuns para induzir a inibição do sistema nervoso central, com 765 mil
  • Anticolinérgicos, consumidos para ativar o sistema parassimpático, com 542 mil
  • Anabolizantes, utilizados para repor a testosterona, com 229 mil.

Drogas ilícitas

Em relação às drogas ilícitas mais consumidas no país, o estudo detalha o uso de dez substâncias.

Mostro, agora, os números mais relevantes.

4. Maconha/haxixe/skank

Usada por 11,7 milhões de brasileiros ao menos uma vez na vida, a maconha (e suas variações) é a droga ilícita mais consumida por aqui.

Quando restringido para o uso no último ano do estudo, o número cai para 3,8 milhões.

No último mês, desce ainda mais, para 2,2 milhões.

5. Cocaína

A cocaína é apontada como a segunda substância mais usada no país: 4,6 milhões experimentaram a droga, 1,3 milhão a consumiram no último ano e 461 mil no último mês.

6. Crack e similares

O crack e seus similares, como o oxi e a merla, por exemplo, que utilizam a mesma pasta-base, completam o pódio das drogas mais usadas no Brasil.

Daqui em diante, é interessante observar não quem já experimentou a substância específica, mas quem manteve contato com ela no último ano e no mês.

No caso do crack, 1,3 milhão teve algum contato com a droga, 451 mil usaram no último ano e 172 mil no último mês.

7. Solventes

Em números absolutos, os solventes, substâncias líquidas voláteis, como o lança-perfume, têm mais consumidores que o crack: são 4,2 milhões.

No entanto, com o passar do tempo, esses índices vão caindo: 318 mil entrevistados responderam que usaram drogas solventes no último ano e 86 mil no último mês.

8. LSD

Dando sequência à lista, aparece o LSD.

Experimentada por mais de 1,2 milhão de pessoas, a substância demonstra um perfil mais eventual de consumo, caindo para 289 mil (último ano) e, depois, para 60 mil (último mês).

9. Ecstasy/MDMA

O Ecstasy/MDMA é outra droga sintética que está entre as mais usadas no Brasil.

Mais de um milhão de brasileiros admitiram ter experimentado a substância, enquanto 235 mil disseram ter feito uso no último ano e 53 mil nos últimos 30 dias.

10. Drogas injetáveis

As drogas injetáveis são as primeiras a terem um consumo inferior a um milhão de pessoas em algum momento da vida: 591 mil admitiram contato com essas substâncias.

O número cai para 246 mil quando questionado o uso no último ano e para 34 mil ao longo das quatro semanas anteriores.

11. Quetamina

A quetamina, de acordo com o Lenad, já foi usada por 298 mil pessoas ao longo da vida, 184 mil nos últimos 12 meses e 13 mil no mês que antecedeu a entrevista.

12. Heroína

Apesar de ser uma droga mais usualmente injetável, a heroína pode ser administrada de outras formas.

Por isso, assume uma categoria própria.

A substância foi usada por 460 mil brasileiros em algum momento de suas vidas e por 82 mil no último ano.

Não houve registro de dados de consumo no mês anterior à pesquisa.

13. Chá de Ayahuasca

Ao chá de Ayahuasca, segundo a legislação brasileira, não se deve aplicar os conceitos de substância lícita ou ilícita, pois ele faz parte de rituais religiosos.

No entanto, ele é incluído no estudo por conta dos seus efeitos alucinógenos.

Em números absolutos, está à frente da quetamina e da heroína, com 567 mil pessoas assumindo que já experimentaram o chá.

Quais são as drogas mais consumidas pelos jovens?

Outro dado que é possível acompanhar no estudo realizado pela Fiocruz é o consumo de drogas de acordo com as médias de idade.

Assim, pode-se determinar, por exemplo, quais são as substâncias mais consumidas pelos jovens.

Mesmo sabendo que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é crime oferecer qualquer tipo de contato com drogas lícitas e ilícitas a menores de idade, quase 7 milhões de entrevistados informaram ter usado álcool antes dos 18 anos.

Desse número, cerca de 1 milhão reportou o consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

Na faixa etária seguinte, dos 18 aos 24 anos, esse total salta para mais de 4,5 milhões.

Em relação ao tabaco, 1,3 milhão de adolescentes já experimentou a droga, sendo que quase 500 mil fazem uso contínuo.

Já 1,8 milhão de jovens entre 12 e 24 responderam ter feito uso de álcool e mais uma substância ilícita no último ano.

Na pesquisa, não há especificação sobre a droga ilícita mais usada por jovens no Brasil.

No entanto, é sabido que ao menos 4 milhões, com idades entre 12 e 24 anos, experimentaram alguma delas.

Qual é a droga mais traficada?

Além de ser apontada como a droga mais consumida no país, em termos de substâncias apreendidas, a maconha também ocupa o primeiro lugar no ranking.

Ao menos foi assim até maio de 2019, data da última divulgação feita pela Polícia Federal.

Segundo levantamento da entidade, foram confiscadas, apenas nos cinco primeiros meses do ano passado, 48,7 toneladas da droga.

Em 2018, foram 268,1 toneladas.

A cocaína foi a segunda droga mais apreendida no período, com 39,3 toneladas.

Em 2018, foram 79,2 toneladas no total.

Completam a lista o ecstasy, com quase 470 mil comprimidos, e o LCD, com 21.414 selos – somadas as apreensões de 2018 e 2019 registradas na base de dados.

Em junho de 2020, a Polícia Federal, em conjunto com a Força Nacional de Segurança Pública, incinerou 28 toneladas de maconha, maior apreensão de drogas da história brasileira.

Qual é o número de dependentes químicos no Brasil?

O Lenad também traz dados interessantes sobre o número de dependentes químicos no país.

Segundo o levantamento, cerca de 2,3 milhões de brasileiros apresentaram dependência ao álcool nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Se excluídas as bebidas alcoólicas e o tabaco, o número de adictos é de 1,2 milhão.

Portanto, o dado apontado é de que existem 3,5 milhões de dependentes químicos no Brasil.

Além disso, estima-se que 1,6 milhão de indivíduos recorreram a algum tipo de tratamento ao longo da vida, estatística que precisa ser melhorada para garantir a recuperação e a reinserção do adicto na vida em sociedade.

Quais são as 5 drogas mais usadas no mundo hoje em dia?

Já falei bastante da realidade brasileira.

Mas será que, ao redor do mundo, ela é muito diferente? A resposta é: não.

De acordo com o World Drug Report, divulgado em 2020 pela entidade Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), braço da ONU para tratar do tema, temos o seguinte cenário:

  1. Maconha: 192 milhões de usuários
  2. Opioides: 58 milhões de usuários
  3. Anfetaminas e estimulantes: 27 milhões de usuários
  4. Ecstasy: 21 milhões de usuários
  5. Cocaína: 19 milhões de usuários.

Conclusão

Conhecer quais são as drogas mais usadas no Brasil e no mundo ajuda a traçar uma realidade mais concreta do cenário da dependência química.

Assim, é possível adequar os métodos de tratamento conforme as necessidades dos pacientes que sofrem com o problema.

Aqui no Grupo Casoto, procuramos aliar pesquisa, medicina e aspectos da comunicação humana para que nossos internos tenham uma recuperação plena, conseguindo retomar o controle de suas vidas com saúde e bem-estar.

Para saber mais sobre nossos métodos de tratamento e tirar suas dúvidas a respeito desse assunto tão delicado que é a dependência química, preencha o formulário abaixo.